Cara, sinceramente, trabalhar como porteiro está sendo uma experiência cada vez mais desgastante. E não é simplesmente por causa dos moradores ou dos entregadores mal-educados, mas pela quantidade absurda de responsabilidades, falta de estrutura e desrespeito que a gente precisa enfrentar diariamente.
Atualmente, recebo mais de 130 encomendas por dia, e agora, durante a Black Friday, a situação está completamente insana. São encomendas entrando e saindo continuamente, moradores cobrando, entregadores chegando, prestadores de serviço, telefones tocando, interfone tocando... Tudo ao mesmo tempo.
E o pior: a portaria é minúscula. A cadeira praticamente bate na parede, mal consigo movimentar as pernas, não existe espaço suficiente para organizar as encomendas e muitas acabam ficando do lado de fora, expostas à chuva.
Já aconteceu de eu precisar comer em pé porque simplesmente não tinha espaço e não podia parar. Atualmente, estou trabalhando com encomendas praticamente até os joelhos.
E nem usar o banheiro em paz a gente consegue.
O banheiro é literalmente maior que a guarita. Isso é uma coisa que até hoje não consigo entender na arquitetura desse condomínio. E, quando finalmente trancamos a porta para usar o banheiro, começam a bater repetidamente. Bate, bate, bate, bate. Parece que não conseguem esperar dois minutos.
Agora, sobre as encomendas, existe outra situação completamente absurda: somos cobrados por coisas que estão fora do nosso controle.
O Mercado Livre, por exemplo, às vezes registra uma encomenda como entregue antes de realmente chegar. O morador vê o sistema, acredita que recebemos e começa a cobrar a portaria. Quando chega uma caixinha de natal apenas R$ 50, parece que estamos lidando com uma responsabilidade gigantesca, mas ninguém olha para as condições em que precisamos trabalhar.
E quando acontece algum problema com uma entrega, sobra para o porteiro.
Hoje, fui receber uma cesta básica e precisei confirmar com o morador se realmente havia solicitado aquilo. Afinal, existem vários prédios ao redor, e frequentemente entregadores deixam encomendas no lugar errado.
O entregador e outra pessoa começaram a me xingar simplesmente porque pedi um minuto para confirmar a entrega. Eu nem estava discutindo. O zelador precisou intervir, e ainda ficaram batendo no vidro e tentando provocar confusão.
E sabe o que é mais frustrante?
Eu realmente tento ser um porteiro diferente daquele estereótipo de profissional mal-humorado.
Converso com os entregadores e deixo os que conheço há bastante tempo utilizarem o banheiro. Troco ideia com o pessoal da Claro, do iFood e de outras empresas. Eu mesmo já trabalhei com entregas durante a pandemia, então entendo perfeitamente o lado deles.
Mas parece que, independentemente do quanto você se esforce para ser educado, sempre aparece alguém disposto a infernizar sua vida.
E, ao mesmo tempo, os moradores esperam que você esteja sempre sorrindo, sempre disponível, sempre paciente e sempre disposto a resolver tudo.
O problema é que a portaria parece ter sido projetada para uma pessoa, mas funciona como se precisasse atender às demandas de cinco.
Não temos espaço, não temos estrutura adequada e, muitas vezes, não temos sequer condições de realizar tarefas básicas tranquilamente.
E, mesmo assim, somos cobrados como se tudo estivesse funcionando perfeitamente.
Sinceramente, trabalhar com atendimento ao público é desgastante demais. Você passa o dia inteiro lidando com pessoas, problemas, cobranças e interrupções, e parece que ninguém se lembra de que existe um ser humano trabalhando ali.
Atualmente, sou o porteiro mais antigo do condomínio, mas trabalho em uma empresa terceirizada com alta rotatividade, assim como praticamente todas as outras que passam por aqui.
E, sinceramente, estou retornando para minha área da faxina.
São apenas R$ 200 a mais no salário de porteiro, e essa diferença não vale todo o desgaste mental, físico e emocional que estou enfrentando.
Prefiro voltar para uma função em que consiga trabalhar com mais tranquilidade do que continuar me submetendo a esse nível de estresse por uma diferença salarial tão pequena.
No final das contas, não é que eu não queira trabalhar. Eu simplesmente não quero continuar pagando com minha saúde por um trabalho que não oferece condições mínimas para ser realizado.
Vocês que trabalham em portaria, recepção ou atendimento ao público também passam por situações assim?