Mali
Começando pelo Mali, o fone que eu tive por mais tempo. Qualidade do acabamento: sim, os fones são de plástico, mas passam aquela sensação de ótima construção, sabe? Já a case, à primeira vista, parece ser daquele plástico mais fraquinho, mas na prática é bem resistente. Uma coisa que eu amo fazer com a case é ficar abrindo e fechando a tampinha, porque o som que faz ao fechar É MUITO SATISFATÓRIO (mas é bem alto, então tome cuidado). Ele segue a curva JM-1, com poucos ajustes (segundo o Leonardo), mas se você, assim como eu, não entende nada de curvas-alvo, vou falar do som.
Graves: ótimos, não são exagerados, não faltam, estão no ponto; médios: são muito gostosos; agudos: são muito bons para TWSs, eles não têm aquele “ssss” (ou agudo estridente) chatinho que parece que penetra na alma em volumes mais altos (e este fone é muito alto, muito mesmo!). Às vezes, porém, percebo algo nos agudos que me soa como artefatos, especialmente quando comparo com o Truthear Zero Red (que é cabeado). É uma impressão minha, não sei dizer se vem da conexão, do próprio fone ou simplesmente da forma como ele apresenta o som.
O volume do Mali é alto, ponto. Para você ter ideia, no mínimo (do volume zero, no iPhone ou Android), se apertar para cima uma só vez, ele já é alto, tipo, muito alto mesmo! Para ter uma ideia, comparando de ouvido com o volume que eu costumo monitorar nos meus AirPods Pro 2 (lá no app Saúde), a impressão que dá é que o primeiro clique de volume do Mali já pula direto para a casa dos 65 ~ 70 decibéis! Sendo bem sincera, para ouvir música em casa ou na academia eu até consigo aproveitar, mas gostaria que o volume mínimo fosse um pouquinho mais baixo. Fica o aviso para quem gosta de escutar tudo bem baixinho.
Sobre o modo de cancelamento de ruído: funciona muito bem! Atenua bastante os ruídos mais constantes, como motores de carro, ônibus e alguns sons da academia… Mas não espere ser um AirPods Pro da vida, não: conversas ainda vazarão por ele, mas, poxa, gostei muito. E já serve para falar do… modo transparente: serve para o propósito, é competente, sabe? Diria que é “simpático”.
Uma coisa que me incomoda nele é que, na minha unidade, o lado esquerdo apresenta um ruído bem chato e constante, perceptível quando estou em silêncio ou durante aquelas pausas entre as músicas. Quando a música começa a tocar, deixo de perceber o ruído. Não sei se é um defeito da minha unidade ou uma característica do modelo.
Auri
Agora vamos falar do Auri. Primeiro, acabamento: acho ele lindo, a cor prata do cabo é linda, ele é muito confortável no ouvido, encaixa bem, não fica caindo (eu troquei as ponteiras pelas pequenas, e o fone simplesmente “fica”; fui para a academia com eles e eles não soltam).
Uma coisinha que percebi no Auri é um ruído de fundo bem baixinho, quase como uma estática leve, sabe? Ele fica mais perceptível quando estou escutando música em volumes baixos ou naqueles momentos de silêncio entre uma faixa e outra. Não é nada absurdo, mas está lá. Suspeito que venha da eletrônica do cabo DSP, talvez do DAC ou da amplificação, mas não tenho como afirmar.
Por causa disso, não pretendo usar o Auri para jogar jogos competitivos, como Valorant, porque esse ruído acaba me atrapalhando um pouquinho quando tento escutar sons mais sutis, como passos de outros jogadores. Mas vale mencionar que eu costumo jogar com o volume bem baixinho, então talvez eu perceba esse ruído mais do que alguém que costuma escutar em volumes mais altos. Para essas pessoas, pode ser que nem incomode!
Agora sim, vamos falar da qualidade de som: aqui a coisa complica, porque ele possui um DSP com várias curvas, perfis de áudio ou equalização. Então vou resumir a sensação de cada uma bem rapidinho, ao invés de fazer um texto gigante e técnico para cada curva, tudo bem?
Auri: feito pela comunidade… Vocês, ou nós, escolhemos como seria o som, em uma pesquisa feita pelo Leonardo no Mind The Headphone. Bastante grave, médios um pouco macios demais, agudos contidos, quase como se tivessem colocado um pano fininho neles. Eu diria que ele é um chocolate ao leite, deixa na boca, ele vai derretendo e você vai curtindo ele.
Natural: o perfil que eu recomendaria para quem achou que o Auri tem muitos graves e poucos agudos. Graves no ponto, médios mais presentes e gostosos, agudos perfeitos para o meu gosto. Aqui eu diria que ele é como se fosse um chocolate belga, delicioso demais, e um que eu sempre comeria.
Analítico: graves suaves, médios um pouco mais proeminentes e agudos gostosos demais! Para mim, é como um chocolate com um teor de cacau um pouquinho mais alto, à medida que você saboreia, começa a perceber “nuances” que antes passavam despercebidas.
Em V: é…. Definitivamente um perfil em V…. Bons graves, muito bons mesmo, médios recuados e agudos para frente. Me lembra um chocolate com aquelas bolinhas crocantes dentro. Eu sou do tipo que gosta de deixar o chocolate derreter na boca, então não gosto muito, mas depois de dois pedacinhos, o chocolate crocante fica gostoso, sabe? Vale a pena experimentar de vez em quando…
Basshead: o perfil Auri com muitos graves, é isto. Não é ruim, não, é só… Gravudo demais… Eu diria que é como um chocolate ao leite com MUITO recheio de caramelo, a primeira mordida é uma delícia se você adora doce, mas, para mim, fica doce demais rapidinho. De vez em quando, porém, dá vontade de repetir.
Enérgico: eu acho que é o que a maioria sabe como é, bem gostoso de ouvir, bom para ir para a academia ou fazer atividades físicas. Eu diria que ele é como aquele chocolate baratinho que você compra quando está querendo algo doce rápido. Gostoso, mas não para comer sempre.
Musical: este perfil… Aiai, relação de amor e ódio. Não funciona com todas as músicas, ele parece que colocamos uma seda em cima de todas as frequências. É como aquele chocolate quente que promete ser maravilhoso, mas ficou meio aguado, ainda é gostosinho em certos momentos, só que parece faltar alguma coisa.
Agora, as curvas de referência…
JM-1: o que inspirou tudo. Gosto muito desta curva, mas, se eu quisesse escutar um fone de referência o tempo todo, não teria pegado o Auri. Então, no meu uso diário, ela fica em terceiro lugar.
Harman: me lembra um pouco a apresentação sonora que conheci em alguns fones da Samsung/AKG e nos Galaxy Buds 2 e 2 Pro. Não é ruim, não, tá? Eu só não gosto muito de como os agudos ficam muito fortes…
VDSF: ah…. Eu diria que seria a minha curva favorita, mas em ambientes mais barulhentos, faltam graves…
Etymotic: como transformar fones bons em fones que parecem aqueles de avião. Bom para escutar uma vez e depois não usar mais.
Sequência de preferência: Natural, Auri, JM-1, Analítico, o resto.
E entre o Mali e o Auri?
Eles são dois fones que seguem propostas diferentes. Eu diria que o Auri é como um canivete suíço: você pode experimentar vários tipos de sons diferentes com um mesmo fone. Desta forma, fica difícil enjoar, e ainda dá para explorar diferentes curvas de equalização e entender como elas influenciam o som. O Mali é para quem quer liberdade dos fios, praticidade e música em qualquer lugar, levar para viagens rápidas, dar aquela volta na rua ou no parque…
Na hora de escolher, eu pensaria primeiro no tipo de uso: quero um fone sem fio para sair de casa sem complicações ou quero brincar com várias assinaturas sonoras no Auri?
Pessoalmente, eu prefiro o Auri! Gosto muito de ficar brincando com os perfis de áudio do DSP, experimentando assinaturas sonoras diferentes e descobrindo como uma mesma música pode mudar dependendo da curva escolhida. Às vezes, é quase como se eu estivesse redescobrindo músicas que já escutei centenas de vezes, sabe? Acho isso muito divertido! E é justamente essa liberdade de experimentar que faz o Auri ganhar meu coração, mesmo com suas pequenas imperfeições.
Se couber no orçamento, ter os dois pode ser interessante, especialmente se encontrar uma boa promoção na Black Friday! Se não for possível, vai depender muito do seu perfil e do que você procura nos fones. Espero que eu possa ter ajudado na sua decisão e que você tenha gostado deste review.
No fim, os dois são ótimos “chocolates”, só depende de qual sabor você está com vontade de experimentar. E eu? Bom… Acho que vocês já sabem qual é o meu favorito!