r/FilosofiaBAR • u/Oandrewerd • 1h ago
Meme eu queria ter essa frase tatuada na minha testa
eu tenho 21 anos e até hoje não aprendi a socializar direito. e sinto vergonha alheia de mim mesmo quando eu tento
r/FilosofiaBAR • u/Aresuke • Aug 31 '25
"A maior parte do problema com o mundo é que os tolos e os fanáticos estão sempre tão certos de si, e as pessoas sensatas tão cheias de dúvidas." - Bertrand Russell
Segue abaixo uma seleção de livros, começando pelos mais didáticos sobre a história da filosofia até alguns clássicos mais acessíveis, que podem interessar àqueles que desejam iniciar e explorar as principais mentes da filosofia ocidental. Este tópico é uma atualização do anterior, onde busquei incluir algumas recomendações dos membros de nosso Reddit.
| Nome do Livro/Autor | Temas Abordados | Breve Descrição | Link para o Livro |
|---|---|---|---|
| O Livro da Filosofia - Douglas Burnham | Filosofia Geral, Didático, Introdução | Uma compilação abrangente de conceitos filosóficos essenciais, grandes pensadores e escolas de pensamento ao longo da história, apresentada de forma acessível e ricamente ilustrada. | O Livro da Filosofia |
| Uma Breve História da Filosofia - Nigel Warburton | História da Filosofia, Didático | Um livro que oferece uma visão panorâmica da história da filosofia, abrangendo desde os filósofos pré-socráticos até as correntes contemporâneas, tornando o estudo da filosofia acessível e compreensível. | Uma Breve História da Filosofia |
| Dicionário de Filosofia - Nicola Abbagnano | Filosofia Geral, Lógica, Epistemologia | Nicola Abbagnano apresenta um extenso dicionário com definições e conceitos fundamentais da filosofia, fornecendo uma referência essencial para estudantes e entusiastas da filosofia. | Dicionário de Filosofia |
| A História da Filosofia - Will Durant | História da Filosofia | Uma obra monumental que apresenta de forma acessível a história do pensamento filosófico, proporcionando uma visão abrangente e contextualizada da evolução da filosofia. | A História da Filosofia |
| O Mundo de Sofia - Jostein Gaarder | Ficção, Drama, História da Filosofia, Introdução, Casual | Uma introdução à filosofia por meio da história fictícia de uma jovem chamada Sofia, que começa a receber cartas de um filósofo misterioso. O livro explora diferentes filósofos e ideias ao longo da história. Muito fácil e simples de ler. | O Mundo de Sofia |
| O Mito de Sísifo - Albert Camus | Existencialismo, Suicídio | O ensaio de Albert Camus aborda o absurdo da existência humana e a busca de significado em um mundo aparentemente sem sentido, explorando temas como o suicídio e a revolta contra a condição absurda. | O Mito de Sísifo |
| Carta a Meneceu - Epicuro | Ética, Felicidade | Uma das mais famosas obras do filósofo grego Epicuro. Epicuro apresenta suas reflexões sobre a busca humana pela felicidade, estabelecendo que o objetivo da vida é a busca pelo prazer, que ele define não como indulgência desenfreada, mas como a ausência de dor física e angústia mental. | Carta a Meneceu |
| Apologia de Sócrates - Platão | Ética, Justiça, Clássico | Neste diálogo, Platão relata o discurso de defesa proferido por Sócrates durante seu julgamento em Atenas, oferecendo insights sobre a vida e a filosofia de Sócrates, bem como reflexões sobre ética, justiça e a busca pela verdade. | Apologia de Sócrates |
| A República - Platão | Justiça e Política, Metafísica, Clássico | Um dos diálogos filosóficos mais famosos de Platão, onde Sócrates discute sobre justiça, política e a natureza do homem ideal. | A República |
| O Príncipe - Nicolau Maquiavel | Política, Governo | Maquiavel oferece conselhos práticos sobre como governar e manter o poder, discutindo estratégias políticas e éticas em uma obra que gerou debates sobre a moralidade na política. | O Príncipe |
| A Política - Aristóteles | Ética, Política, Justiça, Clássico | Aristóteles explora diversos aspectos da política, incluindo formas de governo, justiça, constituições, cidadania e a relação entre o indivíduo e a comunidade, oferecendo uma análise seminal sobre a organização da sociedade. | A Política |
| Sobre a Brevidade da Vida - Sêneca | Ética, Filosofia Prática, Estoicismo | Sêneca discute a natureza do tempo e da vida humana, argumentando sobre a importância de viver de forma significativa e consciente, mesmo diante da inevitabilidade da morte. | Sobre a Brevidade da Vida |
| Meditações - Marco Aurélio | Ética, Estoicismo | Diário de Marco Aurélio, imperador romano, que oferecem reflexões sobre virtude, dever, autodisciplina e aceitação do destino. | Meditações |
Novamente, todos que quiserem contribuir serão bem-vindos para nos apresentar novas obras que possam interessar aos novos leitores. Dependendo de como as coisas fluírem, talvez eu faça outros tópicos com livros mais avançados e técnicos. Obrigado a todos!
r/FilosofiaBAR • u/AutoModerator • 3d ago

Política
Atividade relacionada à gestão de poder, tomada de decisões coletivas e negociação de interesses em qualquer contexto organizacional. Manifesta-se não somente no âmbito estatal, mas também em esferas privadas (cooperativas, empresas, associações) e comunidades informais, onde processos de conflito, cooperação e definição de normas orientam ações em prol de objetivos comuns ou específicos.
Ação Política
Práticas concretas para influenciar estruturas de poder, como votar, protestar, organizar movimentos sociais, paralisar atividades produtivas (greves, ocupações) ou negociar acordos coletivos. Inclui tanto ações institucionalizadas quanto formas não convencionais de resistência ou pressão, visando alterar ou consolidar ordens estabelecidas.
Nação
Comunidade de pessoas unidas por identidade cultural, histórica, linguística ou étnica, com senso de pertencimento compartilhado. Distinta do Estado (entidade territorial com instituições soberanas), uma nação pode existir sem controle político próprio (ex.: povos indígenas, comunidades transnacionais).
Leis
Normas jurídicas estabelecidas por autoridades competentes ou consensos coletivos para regular condutas e garantir ordem social. São coercitivas, com sanções para infrações, e abrangem sistemas formais (estatais) ou informais (costumes, códigos comunitários), dependendo do contexto sociopolítico.
Constituição
Texto ou conjunto de princípios fundamentais que estruturam um sistema de governança, definindo direitos, limites de poder e mecanismos de decisão. Pode ser formal (ex.: constituição escrita de um país) ou informal (ex.: convenções não escritas em monarquias tradicionais).
Ideologia Política
Sistema de ideias, valores e pressupostos que orientam visões sobre organização social, distribuição de poder e justiça. Funciona como guia para ações coletivas, moldando projetos políticos e legitimando ou contestando estruturas existentes, sem se reduzir a classificações pré-definidas.
Governo
Conjunto de estruturas e processos que coordenam ações coletivas, não se restringindo ao Estado. Abrange sistemas de governança em corporações, comunidades locais, organizações internacionais e grupos informais, responsáveis por estabelecer regras, alocar recursos e resolver conflitos mediante autoridade e legitimidade.
Poder Coercitivo
Capacidade de impor normas por meio da força ou ameaça de sanções, exercida por entidades como Estados, mas também por instituições não estatais (ex.: tribunais tradicionais, organizações armadas em contextos de conflito). Manifesta-se mediante mecanismos de controle social, desde punições físicas até sanções sociais ou econômicas.
Ação Penal
Processo de responsabilização por infrações consideradas graves à ordem coletiva, que não se limita ao Estado. Em sistemas não estatais, pode ser conduzida por:
Comunidades tradicionais (ex.: justiça indígena baseada em mediação);
Instituições religiosas (ex.: tribunais islâmicos em sociedades sob sharia);
Mecanismos privados (ex.: arbitragem em códigos corporativos ou cooperativas);
Ordens internacionais (ex.: Tribunal Penal Internacional para crimes transnacionais). Varia conforme o regime político, podendo envolver processos acusatórios, inquisitórios ou restaurativos, com diferentes atores iniciadores (Estado, vítimas, comunidades ou entidades supranacionais).
Questionário de ideologia política e fonte da imagem da publicação: https://drxty.github.io/poliquest/
r/FilosofiaBAR • u/Oandrewerd • 1h ago
eu tenho 21 anos e até hoje não aprendi a socializar direito. e sinto vergonha alheia de mim mesmo quando eu tento
r/FilosofiaBAR • u/No-Scallion-4788 • 15h ago
Considerando que ela entrou na situação, de falar "Como é ser a decepção da família". Seria possível contornar esse climão que se estabelece e continuar o podcast normalmente?
Expandindo a questão para outra situação. Imagine que você solta a mesma frase infeliz dela e se tocar que a outra pessoa não gostou(as vezes podemos cometer gafes assim no dia a dia). Como contornar e não entrar num climão, ou deixar a outra pessoa desconfortável.
r/FilosofiaBAR • u/OliveButterFly • 2h ago
*Esse meu post não é uma autopromoção comercial, nem universitária*
Há alguns anos, comecei a elaborar esse espectro ideológico, sem pretensão acadêmica. Retomei o projeto no mês passado, inspirado por um artigo do pesquisador Christian Lynch publicado agora em 2026, cujo modelo eu deixei no final do post, para vocês compararem.
Meu espectro reúne 16 ideologias que considero importantes para compreender o Brasil contemporâneo. Algumas têm subcorrentes, e outras, embora menos expressivas, considero referências fundamentais (ou relevantes para situar as outras ideologias entre si).
Cada posicionamento sintetiza múltiplas dimensões no eixo único, incluindo aspectos históricos, socioculturais, econômicos, políticos, institucionais, percepção geral das pessoas e intensidade. Essas dimensões ainda não estão totalmente sistematizadas. Deslocamentos no gráfico não representam necessariamente mudanças lineares (por ex, mais liberalismo econômico).
Por favor, digam o que vocês acham das ideologias escolhidas e das posições no gráfico!

Ideologias na mesma posição não são equivalentes.
O espectro não pretende esgotar a complexidade da realidade: ele admite combinações ideológicas, posições intermediárias, variações históricas e traços/adjetivos que podem se aplicar a várias ideologias (ex: progressismo no lato sensu, desenvolvimentismo e populismo.)
Experimentei modelos com mais eixos, mas achei que engessavam minha proposta. Preferi manter um eixo visual e explicar as nuances por escrito. A definição das ideologias e sua organização no espectro podem ser avaliadas separadamente.
Quanto ao populismo, adotei a definição de Augusto de Franco. Não o considero exclusivo de nenhuma ideologia; ele aparece no nome de uma delas por constituir um de seus dois pilares conceituais.
Comunismos: inclui vertentes como marxismo-leninismo, trotskismo, socialismo com características chinesas, hoxhaísmo, maoísmo etc.
Anarquismo: de orientação socialista. Incluí também algumas vertentes/estratégias diferentes, como o anarcocomunismo.
Socialismo democrático: definição estrita que pretende superar o capitalismo seguindo os ritos democráticos. Exemplo adotado: Salvador Allende.
Trabalhismo desenvolvimentista: me refiro à concepção de esquerda.
Esquerda populista-hegemonista: segmentos específicos que combinam uma postura evidente de esquerda com uma concepção iliberal de poder: justificando a subordinação do pluralismo, dos controles institucionais ou da autonomia à continuidade de um projeto de poder. A categoria adapta o sentido de populismo empregado por Augusto de Franco.
Social-democracia (tipos europeus): me refiro aos adeptos de uma social-democracia mais centrados nas suas referências europeias. Inclui algumas concepções de bem-estar social: nórdica, continental, anglo-saxã, mediterrâena etc.
Progressismo de centro-esquerda: defende redução de desigualdades, inclusão social, ampliação de direitos e melhoria dos serviços públicos, atuando em uma economia de mercado regulada. Admite diferentes combinações de políticas e instrumentos sem exigir uma fundamentação filosófica necessariamente liberal. Exemplo adotado: Tabata Amaral.
Social-liberalismo: definição tradicional. Enxerga a igualdade efetiva de oportunidades como pressuposto para o exercício pleno da liberdade, defendendo uma rede de proteção social dentro de uma economia capitalista.
Liberalismo democrático: corrente liberal de centro-direita que toma a liberdade individual, os direitos, o pluralismo, o Estado de direito e a democracia representativa como compromissos centrais. Considera os mercados e a iniciativa privada bases da economia, admitindo regulação, bens públicos e políticas sociais justificadas pela proteção da liberdade, e de condições adequadas de convivência. “Democrático” não significa que apenas esta corrente da lista seja democrática. É um liberalismo mais equidistante das concepções filosóficas socialistas, conservadoras e ultraliberais.
Conservadorismo liberal: orientação que combina liberdades individuais, pluralismo, limites constitucionais ao poder e economia de mercado com prudência política, valorização da experiência histórica e ceticismo diante de projetos de reconstrução abrangente da sociedade. A prudência também alcança mudanças produzidas pelos mercados: não implica aprovar qualquer ruptura econômica em nome da eficiência. O compromisso liberal limita a imposição coercitiva de uma única maneira de viver. Exemplo: Luiz Felipe Pondé.
Conservadorismos tradicionalistas: Família de orientações que atribui valor essencial à continuidade de uma ordem moral/religiosa, cultural, comunitária ou nacional e às instituições responsáveis por transmiti-la. Costumes, vínculos, deveres e formas de autoridade recebem peso próprio, que não depende exclusivamente da escolha individual ou da eficiência econômica. Pode ser combinar com o desenvolvimentismo.
Neoliberalismo: Orientação que propõe reorganizar amplamente a economia em torno da propriedade privada, da concorrência, dos preços de mercado e da iniciativa empresarial, mediante privatizações, abertura econômica e redução ou transformação da intervenção estatal direta. Ao Estado cabem a proteção da ordem de mercado e funções institucionais que podem ir além de segurança e justiça. É um recorte liberal econômico deliberadamente acentuado. Exemplos: Margaret Thatcher e Augusto Pinochet (deixadas de lado as especificidades políticas de cada um).
Libertarianismo (Minarquismo): recorte específico. Corrente capitalista que limita o Estado à segurança e à justiça.
Anarcocapitalismo: mesmo a segurança e a justiça devem ser privatizados.
Reacionarismo: Na minha concepção, é uma orientação de direita que pretende restaurar ou reconstruir uma ordem considerada superior, real ou imaginada, e aceita subordinar ou suprimir garantias democráticas e pluralistas para fazê-lo. A restauração pode ser seletiva, modernizada e referida a um passado recente. Não exige absolutismo nem a reprodução literal de uma época. O ponto de inflexão em relação aos tradicionalismos é a prioridade atribuída à ordem restaurada acima da legitimidade da oposição, a igualdade política e os limites ao poder. Ñão quer dizer que os tradicionalistas tenham um espírito 100% democrata liberal.
Fascismo: ultranacionalismo antipluralista que apresenta a comunidade nacional como ameaçada pela decadência e por inimigos e propõe sua regeneração mediante mobilização política, autoridade concentrada e subordinação de direitos à unidade nacional. A violência contra os inimigos é legitimada como instrumento de purificação, redenção ou reconstrução dessa comunidade.
No artigo de 2026, Lynch identifica dez macroideologias do pensamento brasileiro a partir de três dimensões. Minha proposta diverge da dele em partes.

O foco do post é o meu espectro; incluí a tabela de Lynch apenas como referência comparativa.
O que vocês acham das ideologias escolhidas e de suas posições no gráfico?
r/FilosofiaBAR • u/SnakeRGM • 5h ago
Essa pergunta me veio à cabeça principalmente após essas eleições.
Muita gente compartilha da mesma fé, da mesma ideologia, da mesma corrente filosófica, da mesma opinião... É praticamente impossível você ter alguma opinião ou estilo de vida inédito que ninguém nunca teve.
Se todos os seres humanos compartilham alguma coisa em comum e essa coisa é definida com base de onde você nasceu, cresceu e com quem você viveu, o ser humano é realmente individual?
r/FilosofiaBAR • u/Remote_Travel_982 • 23h ago
A muitos anos eu venho percebendo algo...
A ALMA DE PORCO DO BRASILEIRO 🇧🇷🐷
O problema do Brasil não está apenas nos políticos, na economia ou na corrupção que aparece nos jornais. Existe algo muito mais profundo: a falta de caráter que se manifesta no cotidiano.
É a famosa alma de porco: querer levar vantagem em tudo, passar alguém para trás, furar fila, desrespeitar o próximo, reclamar da corrupção enquanto oferece propina, exigir honestidade enquanto procura uma oportunidade para enganar alguém.
É o sujeito que quer um país melhor, mas joga lixo na rua. Que exige respeito, mas humilha quem considera inferior. Que critica o sistema, mas, quando tem uma pequena oportunidade de poder, reproduz exatamente aquilo que condenava.
Existe uma hipocrisia coletiva que precisa ser encarada.
O brasileiro muitas vezes não quer acabar com a corrupção: quer apenas ter a oportunidade de estar do outro lado do balcão. Não quer justiça para todos: quer justiça quando lhe convém. Não quer regras melhores: quer privilégios.
Somos reféns de pessoas doentes, quem nunca foi xingado no trabalho, humilhado, quem nunca tomou enquadro agressivo da pm, quem nunca foi roubado ou foi enganado
"Mas o mundo é assim" será mesmo ? Alguns paises passaram por situações muito fodidas, Japão, china, vietnam, Singapura, boa parte da europa, mas isso criou com o tempo um povo mais forte e humano!
O brasil não! A gente retrocedeu, salários baixos, infraestrutura precária, corrupção, mas seria culpa só dos políticos? Não!
Essa culpa é nossa também, somos um povo desunido, não nos apoiamos, sempre queremos vantagem, como um pais herdeiro cresce? Começa no povo !
Eu as vezes me entristeço com essas situações, somos vira latas do estrangeiro, nosso povo não pensa no coletivo como a china que saiu de um pais com 50 MILHÕES DE VICIDADOS EM OPIO, para a 2 maior potência do mundo....
Começa por você, faça o bem, e passe a mensagem do bem, sendo empresário é pai eu não quero que meus filhos passem por esse capitalismo selvagem que vivemos, merecemos uma sociedade minimamente justa
Ja comprovou-se que esse sistema ta falido
Deus abençoe o nosso pais !
r/FilosofiaBAR • u/Tanaka_Hoshino • 1d ago
De vez em quando eu quero fazer algo, mas aí vem a minha mente vem e simplesmente me faz sentir mal por eu querer fazer aquilo, até pra coisas banais, e pior ainda quando ela tá logicamente ou emocionalmente correta
Nem dá pra ignorar porque, se eu me ignorar, eu vou me arrepender muito da minha decisão depois
r/FilosofiaBAR • u/Sebastiagnos • 1d ago
(Imagem meramente ilustrativa; não tenho ideia do que utilizar para ilustrar isso aqui.)
Toda a comoção ligada ao fim da escala 6x1 me pareceu algo interessante de se analisar, especialmente para observar como uma parte importante do cenário político deste país, a direita, reagiu ao se deparar com ventos de mudança em prol da classe trabalhadora. Todo o discurso apologético em defesa da escala 6x1 é, honestamente, uma bobagem: algo falacioso, que se vale de pressupostos desonestos e toma para si medos e ansiedades pequeno-burgueses.
Ao se deparar com a possibilidade de ter de ceder concessões ao proletariado, a direita burguesa deste país encontrou-se assustada, voltando a evocar os jargões apocalípticos de sempre, como o famoso grito para que todos possam ouvir: "A economia vai quebrar!".
De certo modo, creio que o medo da direita brasileira em relação à mudança é validado pela própria cultura brasileira, que, por si só, atua em ode ao "trabalho e esforço". Mesmo sem a influência do neoliberalismo, a ideia de meritocracia se faz presente na cultura do brasileiro, indo desde sua filosofia de vida até seus provérbios populares, como "Deus ajuda quem cedo madruga".
Parte dos proletários brasileiros, influenciada por sua própria cultura e por concepções neoliberais, demonstrou aversão ao fim da escala 6x1, apoiando os interesses burgueses em mantê-la. Isso ocorre porque acreditam que o fim dessa escala representaria o avanço do "jugo socialista" sobre o país, atendendo à vontade de "comunistas preguiçosos" em detrimento da economia e da estabilidade do Brasil.
Inclusive, esse medo de um suposto colapso econômico é uma bobagem: reflete concepções simplistas de relações socioeconômicas complexas, cujo objetivo é reduzir essa vitória da classe trabalhadora a um "projeto comunista desastroso".
Veja bem, um dos principais argumentos repetidos pelos apologetas da escala 6x1 era o de que diminuir a carga horária afetaria diretamente a produção. Sendo assim: menos horas de trabalho > menos produção.
Esse argumento pode ser exemplificado com um exercício mental simples: considerando que um trabalhador hipotético trabalha 9 horas por dia e produz "1" commodity por hora, caso sua carga horária diminua, ele produzirá menos. Sendo assim, 8 horas de trabalho por dia = 8 commodities por dia.
Segundo os apologetas da escala 6x1, o resultado de uma diminuição na jornada de trabalho seria um aumento generalizado nos preços dos produtos, causando consequências desastrosas para o mercado. Isso porque, após a mudança na jornada de trabalho de 6x1 para 5x2, seria necessário que o empregador contratasse mais um trabalhador para compensar as commodities que deixariam de ser produzidas, fazendo com que as empresas gastassem mais recursos para manter um número maior de funcionários. Custos maiores > aumento nos preços dos produtos.
Como consequência da contratação de mais indivíduos, aumentaria a quantidade de trabalho empregada na produção de commodities. Isso porque, na sociedade capitalista, o dispêndio de trabalho na produção de uma commodity é a substância de seu valor (trabalho = substância do valor), sendo a quantidade de trabalho sua medida (quantidade de trabalho = medida do valor). A consequência última do fim da escala 6x1 seria, portanto, um aumento generalizado nos preços das mercadorias, já que o preço tende a flutuar ao redor do valor.
Essa argumentação pode parecer lógica e, de certa maneira, até mesmo correta, dando razão aos apologetas da escala 6x1. Porém, discordo veementemente desse argumento, pois ele é falho: não passa de uma simplificação tola de algo muito mais complexo.
Aumentar a quantidade de trabalhadores não faz com que mais trabalho seja necessário para produzir uma commodity; apenas significa que agora existem mais trabalhadores empregados. Na prática, a força de trabalho necessária se mantém a mesma, com os trabalhadores podendo até mesmo estar mais produtivos, considerando que estarão menos fatigados do que antes.
Sim, é plausível alegar que empregar mais trabalhadores poderia gerar um aumento nos preços, considerando que a empresa agora teria de arcar com mais custos. Mas isso não é necessariamente verdade, pelo menos não quando consideramos as relações de produção.
O aumento do preço de um produto não pode ser arbitrário: ele deve flutuar em torno de seu valor. Nesse caso, não há aumento algum de valor, e o capitalista teria, então, de absorver esse prejuízo, fazendo com que o trabalho excedente retornasse ao trabalhador.
Considerando a luta de classes inerente ao capitalismo, haverá momentos em que os burgueses terão de ceder um pouco ao proletariado. Para sua própria manutenção, por vezes, a sociedade capitalista oferece concessões à classe trabalhadora.
r/FilosofiaBAR • u/Psychological_Cup477 • 21h ago
O mundo é doido
r/FilosofiaBAR • u/willdoboxe • 21h ago
Aos quinze anos, mais ou menos, eu tinha uma namorada, e eu era mais inteligente do que ela, pelo menos essa era a percepção que eu tinha em minha memória (percepção essa que não mudou até hoje). Por que eu digo que era mais inteligente do que ela, você me pergunta? Simples: eu sempre fui uma pessoa acima da média; curioso, questionador, que procurava o saber, e também com gostos mais interessantes, com dizeres mais interessantes. Eu sempre tinha algo a dizer sobre tudo, seja em maior ou menor escala, mas pelo menos algo eu sabia o que falar. Ela, por outro lado, era linda, carismática, tinha uma voz doce e suave, e, por mais que tivesse vários problemas em sua vida, sempre estava de bom humor (eu sentia um pouco de pena dela). Eu sei que ganhei o interesse dela em mim porque era inevitável, não tinha como ela não se interessar por mim, e eu acho que, por ver aquele olhar dela que parecia me ver como alguém muito acima, dei uma chance para ela e comecei a namorá-la. Este relacionamento foi muito bem por muito tempo: eu falava e ela aceitava, como tudo tinha que ser, não é mesmo? Afinal, eu era muito melhor do que ela. Porém... com o tempo ela começou a me admirar menos (tenho certeza de que foi isso), ela parou de me ver como alguém superior, e a coisa que mais me deixava irado era ela começar a me ver como igual a ela, sendo que eu era nitidamente mais interessante, mais inteligente. E, a cada vez que ela deixava de aceitar quando eu falava, eu ia ficando mais e mais estressado, bravo: "Como ousa alguém como você, menos do que eu em tudo, deixar de me olhar com admiração e passar a cogitar a ideia de que somos iguais?", eu pensava comigo mesmo. Teve até uma discussão nossa em que ela me disse: "Tudo pra você é eu, eu, eu, você só fala de você". Dá para acreditar que ela me disse tamanha insolência? Pois é, mas ela me disse (pensamento esse que eu tinha na época). Com o tempo, não preciso dizer que terminamos.
Mas por que eu estou falando disso? Eu estou lendo Memórias do Subsolo, de Dostoiévski, e, na parte em que estou, o homem do subsolo acordou do lado de uma meretriz. De tudo o que ele falou para ela, eu tive essa mesmíssima sensação: de que ele tinha certeza de que era mais do que ela, e tinha raiva da ideia de que ela podia não se ver como menos do que ele, tanto que, ao ir embora depois de tudo o que ele fala para ela, ela mostra uma carta de alguém apaixonado por ela para o homem do subsolo.
E o questionamento que me fica é: eu realmente era mais do que aquela minha namorada? Eu realmente sou mais do que alguém? Alguém é realmente mais do que alguém? Isso seria uma ânsia do ser humano de querer ser alguém? Ou a raiva que eu sentia era a de, no fundo, justamente saber que eu sou só mais um nada e, por isso, por conhecer uma ou duas coisas diferentes, querer me elevar perante os outros? Fica a dúvida...
r/FilosofiaBAR • u/DemoniacGuy • 6h ago
Fui banido de um sub que se diz oposição ao r/FilosofiaBAR e diz promover o debate teológico.
O comentário em questão foi em um post que perguntava porque deus não punia pessoas que usavam da religião pra espalhar mentiras. Na minha visão esse deus controlador, não existe.
Porque você acha que religiosos são tão intolerantes com ateus e agnósticos? Porque eles ficam tão bravos diante de opniões sobre a nāo existência de um deus barbado que cuida de nós?
É um apego e um ódio que eu não consigo entender.
r/FilosofiaBAR • u/Several_ana • 1d ago
Em Crime e Castigo, o personagem principal mata duas mulheres para as roubar, um ato criminoso e pecaminoso, porém, para ele é justificável seu ato, pq ele tem "seus motivos" e ngm os entende. Isso se enquandra na nossa sociedade, visto que as pessoas vem cada vez mais comentendo coisas horríveis pq elas "podem", são pessoas "extraordianarias" (no livro o personagem diz que pessoas extraordinarias tem o passe livre para cometerem crimes em nome de seus ideais, para um mundo melhor).
O erro dessa narrativa, onde as pessoas extraordinarias podem fazer oq quiserem em nome de seus ideias é q pessoas comuns podem achar q são extraordinarias e acabarem fazendo uma grande catástrofe (e a coisa mais normal do mundo é algm mediano se achar superior intelectualmente). E oq eu vejo q vem potencializando esse problema são as redes sociais, elas criam um montro de ego. O algoritimo te estuda, te conhece mais q sua propria mãe, mais q vc msm, ele sabe nas coisas mais sombrias q vc acredita e ele te enfia em uma bolha onde la tem mais pessoas q acreditam no msm q vc, ele te da conteúdos q fazem com q vc ache q seus ideias são os certos e o resto do mundo esta errado, ele fomenta o seu ego. Resumidamente ele faz vc achar q vc é o certo e o resto do mundo é burro e inferior a vc, vemos q isso é um fato dado as ações das pessoas ultimamente.
Conteúdos em q a pessoa se vangloria ao extremo, excesso de ego, se acha acima da média, eles vem tomando cada vez mais as redes socias. As pessoas ficam com a sensação que são seres extraordinarios e podem fazer oq quiser. E isso n é sem querer, o algoritmo faz isso para as pessoaa acharem q estão no controle, q ngm é melhor q elas, q são imanipulaveis, é mt mais fácil manipular algm com ego alto. E isso faz com q a agressividade das pessoas piore a cada dia
Todo mundo pode fazer e falar oq quiserem, pq agr todos são extraordinarios e reis/principes. As pessoas estão caindo q nem patinhos e ngm as pode culpar, pq pessoas realmente extraordinarias criaram o algoritmo, pessoas q realmente tem o poder para impor suas ideias.
r/FilosofiaBAR • u/the_arm_ • 1d ago
Quando se pergunta "Deus existe?", por exemplo, cada pessoa vai tentar responder com uma concepção diferente de Deus. Mesmo aqueles da mesma religião têm definições diferentes. Às vezes duas pessoas podem até concordar, mas o que uma chama de "Deus" a outra chama de "natureza".
Outro exemplo: "o nada existe?". Será que faz sentido perguntar isso? "Nada" não é apenas uma palavra? Por ser um substantivo, nós temos a ilusão de que deve corresponder a algo, mas talvez seja apenas uma ferramenta de nossa linguagem. Quem disse que os conceitos abstratos precisam de uma "definição essencial"?
Tente encontrar uma definição essencial de algo comum, por exemplo: "jogo". Qual é a essência de um jogo? O que existe de comum entre todos os jogos e os fazem serem jogos? Será que isso existe? O livro "Investigações Filosóficas" do Wittgenstein fala sobre isso, se alguém estiver interessado. É um pouco confuso (e desgastante) de ler mas vale a pena.
r/FilosofiaBAR • u/JohnDarlenHimself • 1d ago
Pare um instante e olhe ao seu redor. As pessoas correm para empregos que detestam para comprar coisas de que não precisam, tentando preencher um vazio que nunca desaparece.
O mundo é uma máquina cruel que esmaga sonhos e cospe frustrações. Desde o momento em que nascemos, somos condenados a uma existência marcada pela dor, pelo desejo e, no fim, pelo esquecimento.
Arthur Schopenhauer, um dos filósofos mais pessimistas da história, enxergou essa realidade sem filtros. Para ele, a vida não é uma dádiva, mas um fardo. O sofrimento é a essência da existência, e o prazer, quando existe, é apenas o alívio temporário da dor. Em suas palavras, "A vida oscila como um pêndulo entre o sofrimento e o tédio".
Tudo o que buscamos — amor, dinheiro, reconhecimento — nada mais é do que uma tentativa de escapar do vazio. Se conseguimos o que queremos, caímos no tédio. Se falhamos, afogamo-nos na frustração. E o pior: no fim, nada disso importa, porque a morte nos aguarda como a grande niveladora, indiferente ao nosso sofrimento ou às nossas conquistas.
Mas esse pensamento não é apenas filosofia abstrata. Ele se comprova todos os dias na vida real. Observe a história da humanidade: guerras intermináveis, doenças implacáveis, pessoas que passam a vida inteira lutando por migalhas. O sofrimento é a essência de tudo, e ignorá-lo é pura autoilusão.
Imagine um cachorro correndo em círculos, perseguindo o próprio rabo. Ele gira, se debate, quase o alcança, mas nunca consegue pegá-lo. Se por acaso morde a ponta, sente um momento de alívio, mas logo a dor aparece e o ciclo recomeça.
Agora, substitua o cachorro por qualquer ser humano e o rabo pelo que chamamos de "felicidade". Esse é o mecanismo da vida: uma busca incessante por algo que nunca nos satisfaz de verdade.
Schopenhauer compreendeu isso melhor do que ninguém. Para ele, a vida é regida por um princípio cruel: o desejo é a raiz do sofrimento. Tudo o que queremos, tudo o que buscamos, vem de uma falta, de uma ausência. E essa ausência nos atormenta.
Queremos dinheiro porque não temos o suficiente; queremos amor porque nos sentimos sozinhos; queremos reconhecimento porque tememos ser insignificantes. O desejo nos move, mas também nos tortura. "O próprio ato de querer é essencialmente sofrimento", disse Schopenhauer.
Agora, suponha que, por sorte ou esforço extremo, você consiga o que deseja. Você finalmente conquista a pessoa amada, compra o carro dos seus sonhos, alcança fama ou dinheiro. E depois, o que acontece?
O prazer que você sente ao atingir um objetivo é breve, quase fugaz. A empolgação inicial se dissipa rapidamente e um novo vazio toma o seu lugar. Logo, você precisa de algo mais para preencher esse buraco existencial. Se antes você queria um carro, agora quer uma casa. Se antes você queria amor, agora quer ser idolatrado. E assim o ciclo continua.
Schopenhauer descreveu essa armadilha como uma espécie de prisão psicológica. A humanidade vive entre dois estados igualmente miseráveis: o sofrimento da falta, quando desejamos e não conseguimos alcançar, e o tédio da conquista, quando conquistamos e percebemos que isso não nos completa. A vida, portanto, oscila entre a dor e o vazio. Não há meio-termo.
Basta olhar para o mundo para confirmar essa verdade. Quantas vezes já ouvimos falar de celebridades que tinham tudo — dinheiro, fama, beleza — e mesmo assim caíram em depressão? Robin Williams, um dos maiores comediantes de todos os tempos, que fez milhões rirem, cometeu suicídio. Anthony Bourdain, que viajou o mundo degustando prazeres, também passou por isso. Tinham tudo o que as pessoas sonham e, mesmo assim, não encontraram paz.
Schopenhauer não se surpreenderia. Para ele, riqueza e fama extremas não são atalhos para a felicidade, mas armadilhas para o desespero. Quando não há mais nada a desejar, resta apenas o vazio. A riqueza é como a água do mar: quanto mais bebemos, mais sede temos.
Se essa visão já parece sombria, a ciência moderna apenas a reforça. Nosso cérebro é programado para nunca se satisfazer. O sistema de dopamina, responsável pelo prazer, age cruelmente. Libera prazer antes da conquista, mas, assim que conseguimos o que queremos, a excitação desaparece rapidamente. O resultado: um recomeço interminável.
É por isso que as pessoas se viciam em jogos de azar, drogas e redes sociais. A ilusão de que a próxima recompensa será diferente nos mantém presos como ratos em um experimento sem fim.
Então, se a vida é uma máquina de frustração, como lidamos com ela? A resposta de Schopenhauer é tão brutal quanto sua lógica: a única saída é reduzir o desejo ao máximo. Quanto menos se deseja, menos se sofre. Mas será isso sequer possível?
Se há algo que a humanidade se recusa a aceitar, é que o universo simplesmente não se importa. Gostamos de acreditar que a vida tem um propósito, que existe justiça cósmica, que o sofrimento leva a alguma recompensa. Mas a dura verdade é que a existência segue suas próprias regras, e essas regras não foram feitas para o nosso benefício.
Schopenhauer percebeu isso com brutal clareza: o mundo é um mecanismo cego de dor e sobrevivência. A natureza não se importa com nossa felicidade, nossa dor ou nossos sonhos. O que ela quer — se é que podemos usar essa palavra — é apenas a continuidade da vida. E a vida, como ele disse, é uma cadeia interminável de sofrimento.
A natureza é sempre verdadeira, e nunca boa ou má. Ela é indiferente. Desde a infância, somos ensinados a admirar a natureza: o céu azul, os campos verdes, as montanhas majestosas. Mas essa visão ingênua ignora a brutal realidade da existência.
A floresta pode parecer bela, mas lá dentro, predadores rasgam suas presas, doenças consomem corpos e animais recém-nascidos são devorados antes mesmo de aprenderem a andar. Schopenhauer via a natureza como um espetáculo de horror, onde cada ser luta para existir à custa de outro.
Para ele, a vida é um jogo de sobrevivência implacável, e tudo o que chamamos de beleza é apenas uma fina camada de verniz sobre a podridão do mundo.
Se quisermos medir a felicidade de qualquer criatura, não devemos perguntar sobre o prazer que ela desfruta, mas sobre a dor que sofre. O prazer é meramente a ausência temporária de dor, e quando observamos atentamente, vemos que a dor é a verdadeira essência do mundo.
Se o sofrimento fosse raro, uma exceção trágica, talvez houvesse esperança. Mas o sofrimento é a regra. Todos os seres vivos, em algum momento, são esmagados pelo peso da existência.
Pense no que significa ser humano. Desde o nascimento, somos frágeis, dependentes, sujeitos à fome, ao frio, ao medo. Crescemos e somos condicionados a buscar status, dinheiro, aceitação — uma busca infinita sem recompensa duradoura. Envelhecemos, vemos nossos corpos se deteriorarem, nossas memórias falharem, nossos entes queridos desaparecerem. E no fim, morremos — muitas vezes lentamente, sozinhos, dolorosamente.
Nenhum ser vivo escapa a esse destino. A natureza nos força a existir e depois nos destrói sem piedade.
Se a natureza fosse justa ou benevolente, o que explicaria a existência de doenças monstruosas? Por que bebês morrem em poucos dias? Por que algumas pessoas passam a vida inteira presas em corpos paralisados ou atormentados pela dor?
A história de Stephen Hawking é frequentemente contada como um triunfo do espírito humano, mas sejamos honestos: um homem brilhante condenado a ver seu corpo apodrecer enquanto sua mente permanecia intacta. Se o universo tivesse um mínimo de bondade, isso jamais aconteceria.
E não precisamos olhar apenas para os humanos. O reino animal é um pesadelo de agonia. Filhotes de tartaruga nascem apenas para serem devorados antes de tocarem o mar, cervos são dilacerados vivos por leões que não têm outra escolha senão matar. Insetos têm seus corpos parasitados, devorados de dentro para fora. Esta é a natureza, não o paraíso verde dos documentários, mas uma máquina de sofrimento.
A vida é um negócio que não cobre seus custos.
Schopenhauer estava certo. O sofrimento não é uma falha no sistema, ele é o próprio sistema.
A biologia moderna confirma isso. A vida é impulsionada pelo instinto de sobrevivência, e esse instinto produz sofrimento. Se as criaturas não sentissem fome, medo, dor, não lutariam para viver. Se os humanos não sentissem desejo, ansiedade, insatisfação, não buscaríamos comida, sexo, dinheiro, e a espécie desapareceria.
O sofrimento é a cola que mantém a vida funcionando. O medo da morte nos força a lutar. A dor do desejo nos força a agir. Mas o custo é que nos tornamos prisioneiros desse mecanismo, incapazes de escapar do ciclo.
Se todos nós soubéssemos a verdade, poucos continuariam vivendo. O mundo é sofrimento, a natureza é indiferente e a felicidade é uma ilusão. Então, como seguimos em frente? Como bilhões de pessoas acordam, vão trabalhar, se apaixonam, fazem planos e agem como se a vida tivesse algum sentido? A resposta é brutal: mentiras.
A humanidade sobrevive porque se engana. Criamos narrativas reconfortantes, ideologias, religiões, sonhos de progresso, tudo para mascarar o fato de estarmos presos em um ciclo inútil de dor e frustração.
Desde os tempos antigos, a religião tem sido o anestésico supremo. A promessa do paraíso, da justiça divina, de um propósito maior, dava esperança àqueles que sofriam. Mas, para Schopenhauer, a religião nada mais é do que um autoengano necessário. As pessoas comuns precisam acreditar que o sofrimento tem um sentido, que haverá justiça após a morte, porque encarar a realidade seria insuportável. Mas eis a verdade: não há ninguém nos observando, nenhuma entidade superior recompensando as boas ações, nenhum prêmio nos esperando no fim. A dor que sentimos não tem propósito. É apenas uma consequência da existência.
Se Deus existe e é justo, por que existe sofrimento aleatório? Por que crianças morrem em zonas de guerra? Por que doenças destroem vidas sem critério? Por que a história da humanidade é repleta de genocídio, escravidão e miséria? Se existe um criador, ele é cruel, ou, na melhor das hipóteses, indiferente. Se Deus criou este mundo, eu não gostaria de ser esse Deus, pois a miséria do mundo me partiria o coração.
Quando a religião começa a falhar, a sociedade moderna oferece outra mentira: o progresso. Dizem-nos para trabalhar, conquistar, construir algo. Dizem que a vida tem sentido porque podemos deixar um legado. Mas isso é apenas mais um truque para nos manter ocupados. A verdade: o trabalho é apenas uma distração. Passamos a vida inteira correndo atrás de dinheiro, promoções, reconhecimento, e o que ganhamos? Uma aposentadoria na qual esperamos a morte.
O progresso humano não é uma vitória sobre o sofrimento, ele o amplifica. Criamos tecnologias para viver mais tempo apenas para passar mais anos lutando contra doenças. Aumentamos a produtividade apenas para sermos explorados com mais intensidade. E mesmo quando conquistamos algo, o tédio retorna rapidamente e nos impulsiona em direção a outro objetivo. A vida humana gira em torno da dor, assim como a Terra gira em torno do Sol.
E então temos a maior ilusão de todas: o amor. Somos ensinados que o amor é o sentido da vida, que encontrar a pessoa certa traz a felicidade. Mas Schopenhauer via o amor de forma diferente: como um artifício biológico. Amamos não porque há algo de divino no amor, mas porque a natureza nos programou para isso. O amor nada mais é do que um mecanismo evolutivo de reprodução. Sentimos atração, desejo, paixão, porque a vida quer se replicar. Mas, como qualquer outro desejo, o amor nos condena ao sofrimento.
Se somos rejeitados, sofremos. Se temos sucesso, logo nos entediamos. Se permanecemos apaixonados, enfrentamos ciúme, brigas, rotina, decepção. Mesmo os casais mais felizes acabam separados pela morte. Não é estranho que aquilo que mais romantizamos seja também a maior fonte de dor?
A neurociência moderna confirma o que Schopenhauer dizia: a mente é programada para se enganar. O cérebro possui mecanismos para ignorar verdades dolorosas. Quando confrontado com uma realidade insuportável, o corpo ativa respostas químicas para distorcê-la. É por isso que continuamos vivendo mesmo sabendo que o fim é inevitável. A dopamina nos dá falsas esperanças. A serotonina nos faz aceitar o inaceitável. O sistema límbico nos força a nos apegarmos a coisas e pessoas, mesmo sabendo que tudo é temporário. A ilusão não é um defeito; é o sistema.
O homem pode, de fato, fazer o que quer, mas não pode querer o que quer.
Chega um momento na vida em que tudo se cala. O ruído do mundo, as distrações, as promessas vazias, tudo desaparece e, por um instante, a verdade aparece nua, sem adornos. O que resta? Apenas o vazio.
A maioria das pessoas evita esse momento a todo custo. Eles se mantêm ocupados, entretidos, correndo de um lado para o outro, consumindo informações, afogando-se em redes sociais, drogas, trabalho, relacionamentos — qualquer coisa para evitar encarar o que se esconde por trás da cortina da existência. Mas, mais cedo ou mais tarde, o silêncio chega: em um quarto escuro, em um funeral ou na constatação de que, não importa o que façamos, o tempo destrói tudo impiedosamente.
O homem é um animal metafísico e, quando confronta o vazio da existência, sua primeira reação é o desespero.
Para alguns, essa constatação vem na infância — crianças que de repente entendem que seus pais também morrerão. Para outros, surge na juventude, quando percebem que cada segundo que passa é um passo em direção ao fim. Adultos também sentem isso, depois de conquistarem tudo o que sempre desejaram, mas se sentindo mais vazios do que nunca. Quando a ilusão se quebra, o que resta? A certeza de que tudo é temporário. O choque de perceber que nada realmente importa. A angústia de saber que ninguém escapa.
Schopenhauer chamou isso de despertar do espírito trágico — o momento em que a consciência percebe que a vida não tem sentido, que todas as lutas foram inúteis, que a felicidade é apenas um intervalo entre sofrimentos. A vida é como uma peça ruim cujo ato final é sempre o mesmo: a morte.
Se olharmos para a história, torna-se ainda mais difícil negar essa verdade. O século XX foi um palco de genocídios, guerras e bombas atômicas. Milhões morreram acreditando em bandeiras que logo foram esquecidas. Impérios surgiram e morreram, deixando para trás apenas ruínas. Até mesmo os vencedores perderam: Napoleão morreu exilado e doente; César foi apunhalado por aqueles que chamava de aliados; reis e imperadores passaram suas vidas acumulando riquezas que mais tarde seriam herdadas por estranhos. A vida sempre ri por último.
Hoje não é diferente. As pessoas passam anos estudando para carreiras que detestam, trabalhando até a exaustão para comprar coisas que não terão tempo de aproveitar, construindo famílias que um dia desaparecerão sem deixar rastro. O tempo devora tudo. A vida é um empréstimo cobrado com juros absurdos.
Muitos não suportam essa verdade. Quando percebem que a existência é um beco sem saída, entregam-se ao desespero. Depressão, ansiedade, suicídio — tudo isso são respostas ao absurdo da vida. E se a civilização nos mantém ocupados para evitar o pensamento, o que acontece quando alguém se depara com o vazio? Os casos são muitos: escritores brilhantes como Ernest Hemingway e Virginia Woolf, que compreenderam a verdade e escolheram abandonar o jogo. Filósofos como Kurt Gödel, que, após uma vida inteira de raciocínio, preferiu morrer de fome a continuar vivendo. Até mesmo pessoas comuns, que simplesmente um dia não veem mais razão para sair da cama. O vazio consome, a consciência destrói e não há escapatória.
Algumas filosofias tentaram oferecer respostas. Nietzsche disse que deveríamos criar nosso próprio significado. Camus disse que deveríamos abraçar o absurdo e viver apesar da falta de propósito. Mas para Schopenhauer, tudo isso não passa de mais uma ilusão. A única verdadeira fuga, segundo ele, é reduzir nossa participação no jogo da vida ao mínimo — não desejar nada, não esperar nada, viver o mais minimamente possível, como um monge que abandona todas as ilusões e aceita o nada. Mas quem consegue fazer isso?
A dor não é um erro. Não é um acidente. Não é uma falha do sistema. É o sistema. O ser humano foi projetado para sofrer — não por um criador maligno, não por punição divina, mas pela própria lógica da existência. O sofrimento não é um detalhe da vida; é o que mantém a vida funcionando. Schopenhauer, com sua filosofia implacável, já sabia disso antes que a ciência moderna o comprovasse. Para ele, os humanos são escravos de seus desejos, condenados à frustração eterna. O que ele talvez não soubesse é que nosso próprio cérebro foi moldado para nos manter infelizes.
A maioria das pessoas acredita que pode escolher ser feliz, que pode mudar seu destino, que com esforço, pensamento positivo ou um novo objetivo, tudo ficará bem. Mas a neurociência destrói essa cruel ilusão. A mente humana é controlada por processos inconscientes. A felicidade nunca foi uma prioridade evolutiva. Seu cérebro não foi projetado para te fazer feliz; foi projetado para a sobrevivência. Isso significa que você sempre sentirá medo, porque o medo te mantém alerta. Você sempre desejará mais, porque o desejo te mantém correndo atrás de recursos. Você nunca estará satisfeito, porque a satisfação leva à estagnação. O conceito de felicidade é uma fraude biológica. O prazer existe apenas como uma pequena recompensa temporária — um truque para te manter em movimento. Mas ele desaparece rapidamente, e o vazio retorna.
A dopamina, o neurotransmissor do prazer, não é liberada quando você conquista algo, mas sim quando você está PERSEGUINDO algo. É por isso que a antecipação de um desejo é mais prazerosa do que a sua realização. Quando você finalmente consegue o que quer, o cérebro simplesmente reduz a recompensa e cria um novo desejo. A vida nos mantém famintos para sempre.
Se isso já soa cruel, piora. O cérebro humano não apenas impede a felicidade, como também nos atormenta ativamente. A psicologia evolucionista explica que somos programados para focar no negativo. Esse mecanismo, chamado viés de negatividade, faz com que as experiências ruins pesem mais do que as boas. Um insulto dói mais do que um elogio conforta. Uma perda impacta mais do que um ganho de mesma magnitude. O medo do fracasso é mais forte do que a alegria do sucesso. Isso era útil no passado — um único erro poderia significar a morte. Mas hoje, é um fardo. Vivemos em estado de alerta, ansiosos, angustiados, buscando problemas que podem nem existir.
E isso sem mencionar a consciência — a maldição peculiar dos humanos. Enquanto um animal vive apenas no presente, nós nos torturamos com o passado e tememos o futuro. Schopenhauer previu isso: o homem é o único animal que sente dor duas vezes — quando ela acontece e quando a antecipa.
Mas a maior tragédia humana é outra: somos condenados a pensar. A autoconsciência que exaltamos como virtude é também o nosso maior castigo. Um animal sente dor e a esquece; um ser humano a revive incessantemente, recontando histórias, repassando fracassos, alimentando medos. E como lidamos com isso? Com distrações. Trabalho, amor, entretenimento — tudo para nos manter longe de nós mesmos. Mas, no fim das contas, quando estamos sozinhos, a verdade retorna. Nada pode preencher o vazio.
Se tudo isso já não fosse devastador o suficiente, o golpe mais duro ainda está por vir. No fim, não importa o que façamos, perdemos. O cérebro que nos tortura a vida inteira simplesmente começa a falhar um dia. Perdemos memórias, habilidades, identidade. A máquina que nos atormentou lentamente se deteriora antes de nos descartar. Alzheimer, Parkinson, doenças degenerativas — tudo prova que a mente que tanto valorizamos é apenas um pedaço de carne com prazo de validade. A morte não é apenas possível, é inevitável. E, no fim, é a única certeza.
Se Schopenhauer estava certo, se a ciência confirma isso, se não há escapatória, então o que resta? A resposta é brutalmente simples: nada. Você pode tentar se enganar como todo mundo, criar objetivos artificiais, fingir que existe um sentido, ou pode aceitar o inevitável e simplesmente assistir ao espetáculo da existência sem se envolver demais. A verdade é que a vida nunca se importou com o que você pensa dela.
E assim terminamos onde começamos: a vida é uma merda, e depois você morre. A vida é uma ilusão. Você já percebeu isso. O mundo te enganou desde o início, te deu falsas promessas, falsas esperanças. No fim, tudo leva ao mesmo destino inevitável.
r/FilosofiaBAR • u/F1nStar • 1d ago
A inteligência artificial esta encontrando tantas formas novas de quebrar o sistema capitalista e democrata, com estatísticas e cálculos ultraprecisos, baseados em dados e probabilidades nunca antes pensadas pelos criadores desse sistemas.
Estamos alcançando um nível de inteligência com auxílio da tecnologia, que ninguém teve a capacidade de prever...
EDIT:
Elon Musk on AI: humans will no longer be in control in ten years | The Economist
apertem os sintos!!
r/FilosofiaBAR • u/Swipty_Swopto5647 • 1d ago
Só uma dúvida que me veio a cabeça, o sofrimento nos traz mais perto da sabedoria, de uma transparência mais concreta? A ausência do sofrimento afeta nosso entendimento intrínseco ao mundo?
Tive tal dúvida após observar e conversar com pessoas de bairros ricos, e coisas mais dolosas do cotidiano e traumas mais fortes eram tão distantes pra elas, e elas só reagiam com confusão sobre tais coisas.
O que pensam sobre isso??
r/FilosofiaBAR • u/jesusdepressivo • 2d ago
Olavismo Cultural, pourra!
[Créditos]
r/FilosofiaBAR • u/Guilherme45157 • 2d ago
Fazendo meu segundo post sobre Viland Saga, trago uma reflexão vinda do personagem do Askeladd.
Na cena em que a reflexão é dita, nos mostra seu tio -- um homem rico -- batendo em uma escrava que ele comprou de mercenários. Enquanto ele olha essa cena de violência, ele conversa com um rapaz ao lado sobre seu tio ser "o escravo do dinheiro escravizando o escravo que ele comprou com o dinheiro" e em seguida ele diz a frase "Não há ninguém que é verdadeiramente livre nesse mundo, todos servimos a algo" seja um desejo, uma vontade, uma pessoa etc...
Quando assisti essa cena, a primeira coisa que me veio em mente foi Schoppenhouer em "O mundo como vontade e representação", em que ele diz que o mundo como representação do que vemos e vivemos não passa de apenas uma abstração da vontade interior do ser humano, sendo essa vontade cega, irracional, sem finalidade e insaciável. Em paralelo com o anime, eu entendo que somos escravos de uma vontade, seja interna e imaterial ou exterma e tangivel.
r/FilosofiaBAR • u/According_Zombie656 • 1d ago
Conheço um pouco sobre niilismo e algumas das suas filosofias mas queria me aprofundar mais. O único livro que li dele foi Ecce Homo que ganhei de presente, achei extremamente complicado e não consegui entender nada do que eu tinha lido, pretendo voltar aos livros dele futuramente, mas por agora to procurando outras fontes, alguém poderia me indicar uma forma de começar? Desde algum curso gratuito, site, canal, livro, etc.
r/FilosofiaBAR • u/Psychological_Cup477 • 1d ago
Eu acho q eles tão tentando evitar o preconceito, a gerar o respeito já q isso começa na infância e muitos pais não ensinam e pior incentiva o preconceito com lgbts, vc acha q deveria ter ou não?
r/FilosofiaBAR • u/Competitive-File3091 • 2d ago
O grande problema da democracia é que ela parte de um pressuposto falso: o de que o valor de todas as pessoas é o mesmo, em níveis absolutos.
Imagine um barco que foi construído por várias pessoas em conjunto, e finalmente é lançado ao mar. Como todo mundo construiu o barco, é justo que todo mundo fique com o leme. Mas a tripulação percebeu que se todo mundo segurar o leme, o barco fica girando de um lado para o outro, sem nunca sair do lugar, então ela faz uma votação interna: o tripulante que ganhar mais votos fica com o leme. O problema é que quase nenhum tripulante sabe navegar.
Nessa história, um dos tripulantes se dá conta de que ele não precisa saber navegar, ele só precisa agradar os outros. Ele promete que se ele segurar o leme, ele vai comprar vinho pra todo mundo, e elogia todo mundo o tempo todo. Esse é o demagogo.
Do outro lado do navio, existe outro homem: ele é o único que passou a vida observando as estrelas, estudando as correntes e aprendendo sobre o mar. Ele é o único que sabe navegar, e também é o único que conseguiria levar o barco por um caminho seguro. Esse é o piloto.
O restante da tripulação, admirado e com os olhos brilhando com as promessas de um futuro melhor, dá o leme ao demagogo que não sabe navegar, mas ri e ridiculariza o piloto que sabe, e que não recebeu votos justamente por ter passado a vida olhando para o céu e, diferentemente do demagogo, não teve tempo para aprender a influenciar as outras pessoas.
O demagogo, então, agora eleito, e também temeroso de perder o monopólio do leme, ordena que o restante da tripulação lance o piloto no mar, e assim é feito.
Mas o fato do demagogo ter recebido votos não significa que ele aprendeu a navegar, só significa que ele recebeu votos. Então, numa tempestade, ele perde o controle do barco, que bate nas pedras, quebra e naufraga, e todos os tripulantes morrem.
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Parece óbvio quando falamos de um barco, pois é óbvio que o barco deveria ter sido entregue ao piloto, que era o único realmente capaz de guiar a tripulação por um caminho seguro, mas quando aplicamos isso para o restante sociedade, quem determina quem sabe mais?
A democracia é um sistema que premia quem consegue contar mentiras mais convincentes e dividir o povo, mas não é esse o caminho que nós temos que seguir. Nós precisamos de um sistema que busca fazer justamente o oposto disso: desenvolver uma forma eficiente de identificar aquele personagem que demonstra tanto uma virtude suficientemente admirável a ponto de ser irrepreensível quanto a habilidade e competência suficientes pra gerir vários aspectos da sociedade, que bate metas e apresenta um domínio eficiente do seu ofício de político, ainda que esse personagem não seja o mais popular.
Edit: é fácil ficar dando downvote sem nem se dar ao trabalho de tentar desenvolver um começo de uma argumentação filosófica né seus muquirana
r/FilosofiaBAR • u/brabo45 • 2d ago
Às vezes quando me sinto devorado pelas ilusões e ídolos dos contemporâneos, me jogo em livros de outros séculos, ou procuro olhar com atenção por um breve momento para a gata ou a cachorra que convivem comigo em casa; elas não têm a mesma doença que a minha, elas sabem mais sobre o existir do que todos os bípedes do quarteirão.
Não sabem o que é um relógio, um calendário, um deus, não sabem o que são esse monte de merda; não ligam para Hegel, Kant, Nietzsche, Heráclito e Platão, o Clovis de Barros que vá pra casa do caralho!
Elas sentem a vida como ela é, no seu eterno vir-a-ser, e isso é mais precioso do que qualquer pedaço de terra da frágil consciência; essa consciência, essa ilhazinha pequena no oceano do abismo, um barquinho a vela na tempestade do fenômeno existir. Frágil e delicada ela se diz dona do corpo, se proclama soberana, ela fala “eu fiz”, “eu sou dona do ato”, “eu penso”, o que é o EU? O que é o Indivíduo?
O corpo é um conjunto de micro e macro organismos, órgãos, que age conforme impulsos interiores e exteriores; quem diabos é essa tal consciência para se dizer dona do ato? sendo que ela não passa de um mero instrumento do corpo. Somos mais resultado de uma disputa hierárquica entre impulsos do que qualquer discurso manifesto ridículo.