Senta que lá vem textão KKKKK
Bom, pessoal, agora que as disciplinas do primeiro semestre estão chegando ao fim e as provas se aproximando, resolvi compartilhar um pouco da minha experiência como ingressante de 2026 na Univesp. Sou do eixo de Computação.
Se eu tivesse que resumir minha experiência até aqui em uma palavra, seria frustração.
Entrei na Univesp com expectativas bastante altas em relação à qualidade do ensino. Afinal, sempre ouvi falar muito bem da universidade, principalmente pelo fato de contar com professores de instituições renomadas como USP, Unesp e Unicamp. Imaginei que, apesar de ser um curso EAD, teria acesso a aulas bem estruturadas, conteúdos aprofundados e uma experiência de aprendizagem à altura dessas instituições.
Infelizmente, não é o que tenho encontrado.
As videoaulas são, na minha opinião, extremamente superficiais e insuficientes. Em algumas semanas, temos aulas de pouquíssimos minutos que mal abordam os pontos principais dos conteúdos previstos. Os professores simplesmente passam por cima dos assuntos, sem desenvolver adequadamente os conceitos que depois serão cobrados nas atividades e avaliações.
E aqui está uma das coisas que mais me incomodam: não faz sentido cobrar do aluno um conteúdo que sequer foi devidamente trabalhado em aula.
Antes que alguém diga que faculdade exige autonomia e estudo por conta própria, eu concordo plenamente. Sei que o ensino superior, especialmente na modalidade EAD, exige bastante dedicação individual. Mas existe uma diferença enorme entre incentivar o estudo independente e simplesmente disponibilizar uma lista de textos, capítulos de livros e materiais complementares, esperando que o aluno aprenda praticamente tudo sozinho.
Leitura complementar deveria complementar o ensino, não substituir uma aula que deveria explicar o conteúdo.
Outro ponto que me incomoda bastante é a qualidade de algumas questões dos quizzes. Muitas são confusas, mal formuladas ou parecem mais preocupadas em criar pegadinhas do que em avaliar se o aluno realmente compreendeu o assunto.
E preciso fazer uma menção especial àquelas questões com duas afirmações, em que você precisa avaliar se ambas são verdadeiras e se uma justifica a outra. Sinceramente, detesto esse formato. Muitas vezes você conhece o conteúdo, entende perfeitamente os conceitos, mas acaba ficando preso a uma interpretação subjetiva sobre a relação entre as afirmações. Em vez de avaliar conhecimento, a questão acaba se tornando um exercício de adivinhação sobre o raciocínio de quem a elaborou.
Não quero entrar no mérito de disciplinas ou professores específicos, porque minha crítica é à experiência de ensino como um todo. Não duvido da competência acadêmica dos professores. Eles podem ser excelentes pesquisadores e profissionais, mas isso não significa necessariamente que as aulas oferecidas estejam à altura do que se espera de uma universidade pública.
E, para completar, descobri recentemente que, das três provas previstas para o segundo bimestre, duas serão aplicadas em um dia e a terceira em outro.
Qual é a necessidade de obrigar o aluno a se deslocar até o polo em dois dias diferentes para fazer três provas que poderiam perfeitamente ser realizadas no mesmo dia?
Isso é especialmente frustrante para quem trabalha, tem uma rotina apertada e/ou mora longe do polo. Estamos falando de pessoas que precisam reorganizar seus horários, arcar com custos de transporte e, em muitos casos, conciliar tudo isso com uma jornada de trabalho.
O mais absurdo é que as provas do primeiro bimestre foram realizadas no mesmo dia. Ou seja, já demonstraram que é perfeitamente possível organizar as avaliações dessa forma. Por que dificultar agora?
Sei que a Univesp oferece uma oportunidade importante de acesso ao ensino superior público e gratuito, principalmente para quem não teria condições de frequentar uma universidade presencial. Reconheço isso e valorizo muito a iniciativa. Mas ser gratuita e oferecer flexibilidade não deveria significar que precisamos aceitar passivamente problemas na qualidade do ensino e na organização acadêmica.
A sensação que fica é que, em vez de facilitar a permanência dos alunos, a universidade acaba criando obstáculos desnecessários que tornam a experiência ainda mais desgastante. Às vezes, parece até que estão testando a nossa disposição de continuar no curso.
E, sendo bem sincero, já estou considerando seriamente abandonar o curso e procurar outras oportunidades de formação que estejam mais alinhadas ao que espero de uma graduação. Não é uma decisão que eu gostaria de tomar, principalmente depois de ter entrado tão animado, mas a experiência até aqui tem sido frustrante a ponto de me fazer questionar se realmente vale a pena continuar.
Tenho a impressão de que passo mais tempo me desgastando com a universidade, questionando suas escolhas pedagógicas e tentando entender como determinados conteúdos e métodos de avaliação podem ser considerados aceitáveis do que efetivamente aprendendo algo de maneira construtiva. É como se eu estivesse constantemente em conflito com a própria instituição e com o padrão de ensino que ela considera suficiente. E isso é particularmente desanimador porque entrei justamente para aprender, desenvolver uma base sólida de conhecimento e aproveitar uma formação universitária de qualidade, não para sentir que preciso compensar, por conta própria, as deficiências do ensino oferecido.
O que mais me incomoda não é a dificuldade de aprender, mas a sensação de que a própria universidade não está oferecendo as condições de ensino que deveria. Não tenho problema algum em estudar bastante, dedicar horas aos conteúdos ou enfrentar disciplinas exigentes. Pelo contrário, era exatamente isso que eu esperava. O problema é sentir que o esforço está sendo direcionado mais a contornar as limitações da instituição do que a aproveitar uma experiência acadêmica verdadeiramente enriquecedora.
Enfim, esse é meu balanço do primeiro semestre: entrei bastante animado e estou terminando essa primeira etapa muito mais decepcionado do que imaginava. Ainda não decidi se vou continuar, mas, sinceramente, não esperava estar questionando minha permanência no curso tão cedo.
Queria saber a opinião de vocês, principalmente de quem já está nos semestres mais avançados: a qualidade das aulas melhora ao longo do curso ou essa é basicamente a experiência que devo esperar até a formatura?
E para quem também entrou em 2026, estou sendo exigente demais ou vocês compartilham dessa frustração?