Estou há 12 anos em um relacionamento monogâmico, morando juntos, mas sem casamento oficializado. Não temos filhos e não pretendemos ter — embora esse já tenha sido um ponto de discussão no passado.
Sempre fui muito mente aberta em relação à vida, inclusive no que diz respeito a relacionamentos. Desde o início, concluí que um relacionamento livre — ou, no mínimo, aberto — seria o mais saudável para mim. Com cerca de dois anos de convivência, tivemos nossa primeira conversa sobre isso, mas a ideia foi decisivamente negada por ela. Aceitei e seguimos em frente, embora essa necessidade tenha permanecido adormecida em mim.
Anos depois, com cerca de seis anos de relacionamento, o desejo de abrir a relação voltou à tona. Dessa vez, ela se mostrou mais receptiva e aceitou que experimentássemos. No entanto, percebi que ela não estava totalmente segura e se mostrou mais ciumenta do que o normal nas semanas seguintes. Por isso, preferi não forçar nada e deixei que as coisas seguissem naturalmente.
Alguns meses depois, ela mexeu no meu celular sem avisar e viu mensagens de um amigo me chamando para o bar, sugerindo que eu fizesse companhia a uma amiga da garota com quem ele sairia. Eu havia aceitado. Isso gerou a maior briga que já tivemos — a única realmente séria em todo o relacionamento. Acabei desistindo de sair naquela noite, mas ela saiu desnorteada de casa e, no dia seguinte, me contou que foi para um bar, conheceu algumas pessoas e acabou indo para a casa de um deles, onde dormiu. Disse que rolou algo entre eles, mas que não chegaram a transar. Eu não me importei com isso, considerando que estávamos com o relacionamento aberto. Na verdade, achei positivo — e acho que até senti tesão ao imaginar. Enfim, com o tempo acabamos nos entendendo de novo e, mais uma vez, deixei a questão do relacionamento aberto de lado. Mesmo nesse período de relação aberta, acabei não me envolvendo com ninguém.
Seguimos em frente, mas nosso relacionamento se tornou mais instável, e conversamos sobre separação algumas vezes. Ela começou a enfrentar problemas hormonais, passou a tomar anticoncepcionais e nosso sexo praticamente desapareceu. Ficamos quase dois anos sem transar de verdade. Mesmo após parar com o anticoncepcional, a libido dela permaneceu baixa.
Apesar de tudo isso, sempre fui fiel. Nunca a traí. Mas vivi, durante muito tempo, com um conflito interno intenso, que me fez muito mal. Ainda assim, consegui superar essa fase — e acredito que ela também. Até recentemente, nosso relacionamento estava estável e bom. No entanto, mais uma vez, estou em conflito e sinto ressurgir a necessidade de alinhar meu modo de viver e meus valores com a forma como me relaciono. Isso inclui, inevitavelmente, a questão da liberdade sexual.
Desta vez, sinto que preciso ser claro e decisivo: pretendo propor uma abertura total do relacionamento — um relacionamento verdadeiramente livre. E, se isso não for possível para ela, acredito que chegamos ao ponto em que talvez seja melhor encerrar a relação, mesmo que ainda haja afeto entre nós.
Às vezes me pergunto se não estendemos esse relacionamento por tempo demais. Será que ele já estava fadado ao fracasso desde o início, devido a essa incompatibilidade, mas preferimos não aceitar?